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Informações escassas sobre poluição em Áreas Marinhas Protegidas
Artigo da Unesp aponta que apenas 0,06% delas têm pesquisas sobre poluição em suas áreas
Marcos Jorge
16/01/2019
Áreas Marinhas Protegidas são importantes também para preservar e aumentar os estoques pesqueiros

Artigo publicado por um grupo de pesquisadores do Instituto de Biociências da Unesp, no Campus Litoral Paulista, em São Vicente, aponta que apenas 0,06% das 13.674 Áreas Marinhas Protegidas (AMP) existentes no planeta possuem informações sobre a poluição por substâncias químicas ou seus efeitos ecológicos em seus espaços. 

Áreas Marinhas Protegidas são hoje o principal instrumento de conservação marinha por regulamentar e limitar as atividades humanas com impacto negativo, visando mitigar a perda de biodiversidade e dos serviços ambientais fornecidos por seu ecossistema. 

O grupo liderado pelo professor Denis Moledo de Souza Abessa revisou a literatura cientifica publicada sobre o impacto da poluição química ou seus efeitos toxicológicos nas 13.674 AMPs existentes no mundo. A busca encontrou apenas 96 artigos que cobrem 67 dessas áreas, ou seja, menos de 0,06% do total. A revisão foi publicada na revista Environmental Pollution, da Elsevier.

O professor da Unesp explica que há alguns anos o grupo vem estudando a poluição e seus efeitos no litoral brasileiro e que uma quantidade significativa das AMPs localizadas no país apresentavam problemas pela proximidade de fontes de poluição ou por características que favoreciam a deposição de contaminantes. “Ao mesmo tempo, notamos que havia muito pouca informação sobre isso no mundo, o que nos motivou a realizar um estudo mais abrangente, que foi esta revisão que publicamos agora”, explica o docente, responsável também coordenação do Núcleo de Estudos sobre Poluição e Ecotoxicologia Aquática do Instituto de Biociências.

Além da pouca informação sobre poluição em AMPs no mundo, outro ponto chamou a atenção dos pesquisadores: das AMPs onde foram encontrados dados, a revisão mostrou que há indícios de poluição em mais de 80% delas. “Isso mostra que o problema pode ser bem maior e que de fato as AMPs não são gerenciadas ou criadas pensando-se na contaminação”, destaca Abessa, que contou com a colaboração de pesquisadores portugueses das universidades de Alveiro e do Algarve na elaboração do artigo.

O docente do câmpus de São Vicente explica que as AMPs constituem o instrumento mais importante para a conservação marinha, mas que sua eficiência depende de outras medidas, como o licenciamento ambiental e a gestão costeira, uma vez que a maior parte das fontes de poluição encontra-se instalada em terra, como indústrias, atividades agropecuária e zonas urbanas. “Os contaminantes que caem nos corpos d’água são levados para o mar e as correntes marinhas os carregam até as AMPs, onde podem então ocorrer efeitos ecológicos negativos”, explica.

Um levantamento semelhante restrito apenas às APMs (163, no total) do Brasil foi realizado recentemente por um aluno de iniciação científica do grupo, com resultado praticamente idênticos: poucos dados, e entre as áreas com informações, boa parte delas apresenta evidências de contaminação

Abessa explica ainda que muitas dessas áreas foram criadas sob o argumento de aumentar ou preservar os estoques pesqueiros, que ficarão prejudicado se tais áreas estiverem contaminadas. “Assim, os impactos que eram inicialmente ecológicos tornam-se problemas econômicos, pela perda deste serviço ambiental de reposição dos estoques pesqueiros que o mar realiza gratuitamente”.

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