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Conversas locais, colaborações globais
Start do projeto de internacionalização Capes/PrInt da Unesp reúne 47 instituições de fora
Marcos Jorge
04/01/2019
Atividades marcaram o pontapé inicial do projeto que a Unesp submeteu à Capes no âmbito da chamada do Programa Institucional de Internacionalização da agência

Universidades pelo mundo desenvolvem diferentes estratégias para estabelecer colaborações com outras instituições. Um conceito comum a todas elas, contudo, é que se deve procurar parcerias fortes, duradouras e sustentáveis – que começam sempre no âmbito individual, ou seja, com a atuação do pesquisador.

Nesse sentido, a Pró-Reitoria de Pós-Graduação e a Assessoria de Relações Externas da Unesp organizaram, entre os dias 26 e 28 de novembro, uma série de atividades que promoveram a aproximação entre representantes e pesquisadores de instituições e aproximadamente cem coordenadores dos principais programas de pós-graduação da Universidade. Os cinquenta convidados de 47 instituições estrangeiras arcaram com os custos da própria viagem, enquanto o custo das diárias do hotel foi financiado com recursos do Programa de Apoio à Pós-Graduação (Proap).

A atividade marcou o pontapé inicial do projeto que a Unesp submeteu à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) no âmbito da chamada do Programa Institucional de Internacionalização da agência e cujo resultado representou a aprovação de recursos da ordem de R$ 85 milhões para serem executados ao longo dos próximos quatro anos [veja Box].

O primeiro dia de atividades do Unesp PrInt Kickoff Meeting, ainda na Reitoria, em São Paulo, envolveu apresentações do Plano Estratégico de Internacionalização da Unesp, a proposta da Capes para a internacionalização da pós-graduação das universidades brasileiras, a atuação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) no fomento da pesquisa no estado de São Paulo e um detalhamento da proposta que a Unesp submeteu à agência federal. Representantes de agências e grupos de universidades da Austrália, Canadá, França, Alemanha, Irlanda, Holanda, Reino Unido e Estados Unidos também fizeram apresentações com foco nas suas atuações no ensino superior brasileiro.

Nos dois dias seguintes, no Hotel Colina Verde, em São Pedro/SP, todas as atividades foram voltadas para a aproximação entre os pesquisadores. Em um primeiro momento, cada um dos cinquenta representantes estrangeiros presentes no encontro apresentou as principais áreas de pesquisa de sua instituição para um público formado por quase cem coordenadores ou representantes de programas de pós-graduação da Unesp.

Na segunda parte do evento, brasileiros e estrangeiros sentaram para conversar pessoalmente em sessões de matchmaking. Nessa atividade, a proposta é que as duas partes aprofundem o conhecimento da área de pesquisa apresentada pelo colega nas apresentações orais, buscando afinidades e oportunidades de cooperação.

A ideia é valorizar e financiar as parcerias já existentes estabelecidas pelas iniciativas individuais dos pesquisadores da Unesp”, explica o pró-reitor de Pós-Graduação da Universidade, professor João Lima Sant’Anna Neto. “Paralelamente, nós também queremos promover projetos cada vez mais institucionalizados entre a Unesp e os parceiros, para que a gente consiga envolver o maior número de áreas e com isso ter mais facilidade para receber contrapartidas para o financiamento dos projetos”. Segundo o pró-reitor, a intenção não é limitar o número de parceiros às cinquenta instituições que estiveram presentes ao evento, mas manter as portas abertas a novas entidades.

Novos e velhos parceiros

Jerome Gensel é um dos representantes internacionais que esteve com a agenda cheia durante o evento em São Pedro. Pesquisador da área de sistemas de informação espacial e temporal, ele esteve durante anos à frente do escritório de pesquisa da Universidade Grenoble Alpes, da França, antes de assumir o escritório de relações internacionais da instituição, em 2015, onde é uma espécie de pró-reitor da área.

Sua instituição, uma das mais importantes no cenário do ensino superior francês, colabora há mais de quinze anos com a Unesp, tendo criado inclusive dois programas de mestrado em parceria com a Faculdade de Engenharia de Guaratinguetá (FEG). “Essa colaboração agora está começando a se estender para outras áreas, como a Geografia, em Presidente Prudente, e Ciências de Materiais, em Ilha Solteira”, explica o pesquisador francês. “Nesse processo, as duas instituições fizeram investimentos em mobilidade por meio de missões que prospectaram essas duas áreas de interesse, mas é claro que nós estamos abertos para novos projetos que abram ainda mais esse espectro de colaboração”, afirmou, entre as conversas que realizou com colegas da Unesp para a prospecção de parcerias.

Gensel explica que dois anos atrás a França promoveu um programa semelhante entre as universidades locais, selecionando algumas instituições de referência e exigindo delas uma atuação mais estratégica no processo de internacionalização. Intitulado Initiatives d’excellence (Idex), o programa foi baseado em iniciativas semelhantes promovidas em países como Alemanha, Japão, Canadá e China. “No caso do Brasil, eu acho que o Capes-PrInt ainda está em um estágio inicial porque o que está em jogo por enquanto é principalmente a mobilidade. Acredito que um próximo passo será promover projetos em conjunto, por exemplo”, assinala.

Representante da Universidade de Tubingen, na Alemanha, Fernando Mazo D’Affonseca é um caso de parceria que surge de iniciativas individuais. Egresso da Unesp, o brasileiro fez toda a sua carreira na pós-graduação na instituição alemã, à qual esteve vinculado desde o mestrado até o pós-doc. “Por ser formado na Unesp, sempre publiquei bastante com pesquisadores de Rio Claro e já recebi e mandei estudantes de mestrado e doutorado”, explica o geólogo. “O fato de eu ter mais contato com o estado de São Paulo acaba por inércia me fazendo estabelecer relações com pesquisadores daqui. Meu networking está aqui”.

Desde setembro de 2018, contudo, D’Affonseca assumiu a coordenação científica do Centro Brasileiro da Universidade de Tubingen. A viagem para o encontro em São Pedro é sua primeira missão internacional na nova posição. “A função do centro é fomentar o intercâmbio científico entre Brasil e Alemanha, mas até então eles não tinham cientistas no seu quadro de funcionários. Agora o centro está passando por uma reestruturação e eles querem que eu participe da elaboração de propostas de parceria e conheça as agências de fomento e as particularidades de cada país”, explica.

print4jan19a.jpgSessões de matchmaking: atividades voltadas à aproximação entre pesquisadores

Projetos em vista

Professor na Faculdade de Ciências Agrárias em Botucatu, Alcides Lopes Leão conversou com o colega Ashantha Goonetilleke os pontos principais de um projeto que ambos pretendem elaborar nos próximos meses. Para os pesquisadores da Unesp e da Universidade de Tecnologia de Queensland, da Austrália, a conversa na sessão de matchmaking foi produtiva para definir as bases do projeto, que visa aplicar resíduos de cana-de-açúcar ou casca de eucalipto, por exemplo, na filtração de água e produção de subprodutos. “A parte líquida que sobra pode-se misturar com lodo de esgoto para ser usada como biofertilizante. Nesse sentido, a própria Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) poderia ser nosso cliente primário”, explica o docente de Botucatu.

Na universidade australiana, Ashantha desenvolve parcerias com mais de vinte pesquisadores pelo mundo. Uma característica que ele vê em comum em todas as parcerias duradouras é que elas precisam partir de um sentimento de confiança e conhecimento entre os pesquisadores.

Para Ashantha, o evento em São Pedro foi muito bem organizado e em sintonia com as estratégicas usadas pelas principais universidades do mundo, mas ainda é apenas um primeiro passo. “Para dar certo, os acadêmicos brasileiros precisam ser flexíveis e não querer que tudo seja do seu jeito. Hoje em dia nós não podemos mais dizer ‘essa é a minha área de pesquisa’. Você precisa ver o que está acontecendo e quais são as demandas do planeta e ir nessa direção. Eu tento ser o mais flexível possível para encontrar oportunidades de colaboração”, afirma.

Próximos passos

Na avaliação do pró-reitor de Pós-Graduação da Unesp, os três dias de evento foram bem-sucedidos em atrair representantes de universidades internacionais, apresentar os pontos principais do projeto da Unesp dentro do Capes-PrInt e colocar os pesquisadores em contato. “Fizemos o evento em quarenta dias e mesmo assim recebemos um ótimo retorno. A presença de tantos representantes tem que ser atribuída à eficiência e ao trabalho de qualidade que a Arex tem feito sob a liderança do José Celso Freire Júnior. Ele tem experiência e competência na área de internacionalização, o que dá credibilidade à Unesp”, destaca Sant’Anna.

O pró-reitor ressalta que, a partir de agora, é preciso sistematizar tudo o que foi produzido nos encontros de matchmaking, ler os relatórios dos participantes, analisar o que as universidades vão oferecer de contrapartida para a Unesp e definir como serão abertos os editais e selecionados os bolsistas. “Agora que acabou o evento é que vai começar o momento difícil pra gente”, enfatiza.

A proposta da Unesp

Unesp foi a segunda universidade com a maior quantidade de recursos disponibilizados dentro do Programa Institucional de Internacionalização da Capes (Capes-PrInt). A chamada proposta pela agência tem entre seus objetivos principais fomentar nas universidades o desenvolvimento de estratégias próprias de inserção internacional da pós-graduação, de acordo com as suas demandas e características específicas.

No total, a Unesp receberá R$ 85 milhões para desenvolver o plano proposto ao longo dos próximos quatro anos. A íntegra do projeto está disponível no site da Pró-Reitoria de Pós-Graduação em http://bit.ly/2T03AKv.

O Capes-PrInt substitui o programa Ciências sem Fronteiras que, apesar de suas críticas, despertou de alguma forma o interesse internacional pelas universidades brasileiras. Agora é hora de aproveitar ao máximo esse processo e pensar a internacionalização de forma mais estratégica”, afirmou o reitor da Unesp Sandro Valentini, no primeiro dia do Unesp PrInt Kickoff Meeting, na Reitoria.

De forma breve, o plano aborda sete temas guarda-chuvas alinhados com os dezessete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pelas Nações Unidas em sua Agenda 2030. “O grande trunfo da Unesp nessa chamada foi ter um Plano Estratégico de Internacionalização já elaborado e ter absorvido na proposta os ODS. Fomos a primeira universidade brasileira a incorporar esses objetivos em sua estratégia”, celebra o pró-reitor de Pós-graduação, João Lima Sant’Anna Neto.

Um grupo de 38 coordenadores de programas foi responsável pela elaboração dos temas. A ideia é que eles sejam entendidos da forma mais ampla possível. “Fizemos uma avaliação para que nenhum projeto de pesquisa de um docente da Unesp fique fora do escopo desses projetos. A ideia é não excluir ninguém”, ressalta o pró-reitor.

Entre os objetivos da proposta está aumentar a qualidade da pesquisa realizada na Universidade e o impacto das publicações, contribuir para a solução de problemas nacionais, qualificar os doutorandos para atender aos desafios globais e dialogar com o resto do mundo na busca por um planeta mais sustentável e socialmente justo. (reportagem publicada originalmente no Jornal Unesp)

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