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Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens será ampliado
Nova estrutura terá centro cirúrgico completo, com 2 salas de cirurgia; obras já começaram
Sérgio Santa Rosa, da FMVZ, especial para a Unesp Ciência
04/12/2018
Preparação do terreno para a ampliação do Cempas, no câmpus Botucatu

Em outubro de 2018, foram iniciadas as obras de ampliação do Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Selvagens (Cempas), da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Unesp, câmpus de Botucatu.

O Cempas foi criado a partir do serviço de atendimento a animais selvagens da FMVZ, iniciado em 1994. Em 2005, com sua mudança para as instalações anteriormente ocupadas pelo Centro de Venenos e Animais Peçonhentos (Cevap) da Unesp, o serviço converteu-se num centro de prestação de atendimento especializado nas áreas de clínica, cirurgia e de diagnóstico a animais selvagens em situação de risco, apreendidos, resgatados pelo poder público, trazidos pela população ou encaminhados por instituições parceiras, como zoológicos e criatórios. Em 2017, foram 1.429 atendimentos e, até agosto de 2018, foram registrados 813.

Além do atendimento, o Cempas também tem uma significativa atividade de pesquisa. Foram as pesquisas desenvolvidas no centro que fundamentaram a criação em 2015 do Programa de Pós-Graduação (PPG) em Animais Selvagens da FMVZ, o primeiro criado no Brasil em sua área de atuação. Em agosto de 2018, foi defendida a primeira tese de doutorado deste PPG.

A ampliação das instalações deverá dinamizar e dar mais segurança a todas essas atividades. A nova estrutura terá um centro cirúrgico completo, com duas salas de cirurgia, uma para animais de grande porte e outra específica para animais de pequeno porte. Atualmente, o Cempas utiliza os centros cirúrgicos do Hospital Veterinário da FMVZ.

Também serão construídos dois novos ambulatórios para atendimento, com sala de espera, banheiro, estacionamento para usuários e um quarentenário, espaço para que animais oriundos de apreensão ou resgatados possam ser mantidos isolados e sob observação, até que exames garantam sua colocação junto de outros animais abrigados pelo Cempas.

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“Essa estrutura vai dar melhores condições de trabalho para nossa equipe e, claro, possibilitar um melhor atendimento aos animais e seus proprietários, pois não trabalhamos apenas com animais de vida livre. Temos uma casuística grande de animais exóticos que são trazidos por proprietários, como pássaros e coelhos, por exemplo”, explica o professor Carlos Roberto Teixeira, coordenador do Cempas. “Além disso, os novos ambulatórios e centros cirúrgicos devem agilizar o atendimento e dinamizar o serviço, contribuindo também com um aumento da nossa capacidade de produção científica”.

Também será construído um anfiteatro com 100 lugares, que poderá ser utilizado em aulas, congressos, reuniões científicas e nos diversos cursos de treinamento e capacitação em manejo e contenção de animais selvagens em situação de risco que o Cempas realiza regularmente para entidades como a Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo, a Guarda Civil Municipal de Botucatu e Corpo de Bombeiros. Atualmente, o Cempas está em tratativas com o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) para fornecer esse tipo de treinamento a agentes que atuam em 14 diferentes escritórios do DER. “O Cempas e a FMVZ têm essa preocupação constante em devolver para a sociedade o que ela investe na universidade na forma de seus impostos”, comenta o professor Teixeira. “Com essa nova estrutura, vamos estar melhor preparados para continuar a fornecer essas informações às entidades públicas de forma a colaborar com a conservação da fauna silvestre e do maio ambiente, de maneira geral”.

As obras envolverão uma área de aproximadamente 930m² e serão executadas com recursos advindos de um convênio com o Fundo Estadual de Defesa de Interesses Difusos (FID) por meio da Secretaria Estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania. O FID é um fundo mantido por recursos provenientes do resultado judicial de ações civis públicas que buscam o ressarcimento à coletividade de danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, na esfera estadual. A expectativa é que em um ano a nova estrutura do Cempas esteja em pleno funcionamento.

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Atividades
A equipe, coordenada pelo professor Teixeira, conta hoje com 5 residentes e cerca de 30 estagiários por mês. Além da alta casuística o Cempas, ao longo dos anos, se consolidou como uma referência quando se trata de animais selvagens. Em agosto, por exemplo, a equipe do Cempas foi chamada para auxiliar na captura de uma onça-parda que estava em cima de uma árvore, no terreno de uma indústria metalúrgica, no município de Tatuí.

Com a chegada dos médicos veterinários Luna Scarpari Rolim e Raphael Baldissera, residentes do Cempas, o animal foi sedado e encaminhado para a FMVZ. O animal, uma fêmea jovem, pesando aproximadamente 30kg, estava saudável e permaneceu no Cempas por quatro dias, onde passou por uma bateria de exames.

A soltura do animal foi realizada pelo Instituto Pró-Carnívoros, entidade que promove a conservação dos mamíferos carnívoros neotropicais e de seus habitats. Antes da sua soltura, o animal recebeu um rádio-colar, equipamento de alta tecnologia que permite que o animal seja acompanhado à distância, por meio de sinais que são enviados periodicamente via satélite. “Dessa forma, o animal vai contribuir para pesquisas que fornecerão um embasamento científico que vai auxiliar na conservação de outras espécies de carnívoros”, comenta Luna. Esse caso, marcou a primeira parceria do Cempas com o Instituto Pró-Carnívoros.

Em setembro, o Cempas atendeu uma onça atropelada na região de Bauru. O animal foi encaminhado pela equipe do Zoológico de Bauru. O animal chegou ao Cempas com traumatismo craniano. Não conseguia andar, tentava se levantar e caía, tinha sintomas de problemas neurológicos. “Nossa preocupação é que esse trauma pudesse interferir na vida do animal. Será que ele conseguiria enxergar e se movimentar plenamente para poder caçar?”, conta Luna. “Após o tratamento, ele voltou a ter uma vida normal. Ele caça, não tem mais dificuldades para se locomover e se situar dentro do ambiente. Temos monitorado o animal por vídeo e estamos na expectativa de soltá-lo na natureza, utilizando o rádio-colar em parceria com o Instituto Pró-Carnívoros”.

A equipe do Cempas também têm alcançado sucesso com animais de menor porte. Segundo o professor Teixeira, o protocolo de atendimento estabelecido pelo Cempas para o atendimento de filhotes de tamanduá tem tido muito êxito. “Nos anos de 2017 e 2018, não perdemos nenhum filhote de tamanduá. Todos que chegaram a nós foram tratados e sobreviveram. Temos recebido consultas de várias instituições do país solicitando informações sobre alimentação e tratamento para esses filhotes”, relata o professor Teixeira.

Um exemplo recente é uma fêmea filhote de tamanduá-bandeira, de aproximadamente três meses de idade, que foi atacada por cães, na região do município de Pratânia. Trazida pela Guarda Municipal de Botucatu, tinha uma fratura no crânio, sangramento nasal, dificuldade de respirar, não se movimentava, não se alimentava, apresentando claros sinais de problemas neurológicos.

Após passar por tratamento, com medicação e alimentação na mamadeira. O animal, batizado carinhosamente de Fiona pela equipe do Cempas, hoje anda e se alimenta normalmente e interage com outro tamanduá da mesma idade, abrigado na FMVZ. Sem correr risco de morte, Fiona deve ser encaminhada para alguma instituição. “O tamanduá vive nas costas da mãe até cerca de um ano de idade. Por isso, a reabilitação de filhotes para a soltura na natureza é muito difícil. Mas o animal saudável pode ser destinado a criadores conservacionistas, zoológicos, mantenedouros e programas de procriação”, afirma o professor Teixeira. “O Cempas fornece um laudo informando se o animal está apto ou não para a soltura e a Secretaria do Meio Ambiente do Estado é que determina para onde ele será destinado”.

No mesmo dia em que a tamanduá chegou, o Cempas recebeu três filhotes de cachorro do mato com menos de 30 dias de vida, encontrados em meio a uma plantação. Os animais, ainda muito pequenos, chegaram feridos, um deles com uma fratura exposta de crânio. Após duas semanas de tratamento, o animal já se alimentava sozinho, ganhava peso e não apresentava mais nenhum sinal neurológico.

“Nosso sucesso aqui depende do sucesso da captura de animais em situação de risco e do seu rápido encaminhamento para atendimento. Se o animal demora para ser atendido, ele pode ficar desidratado, perder sangue e outras características que tornam impossível sua recuperação. Quando o processo de resgate é rápido, aumentam as chances de termos sucesso  e o tempo de recuperação, como qualquer paciente, inclusive humanos, tende a ser mais rápido”, explica Luna. O professor Teixeira complementa “Essa nova estrutura deve nos ajudar em todos esses aspectos. Poderemos capacitar melhor quem faz os resgates e também atender com mais dinamismo e qualidade. Todas as etapas do processo de recuperação dos animais serão melhoradas”.


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