Busca na UnAN:
  • Tudo
destaques
A caminho de uma política cultural para a Universidade
Encontro reúne agentes culturais da Unesp para discutir construção de uma política na área
Marcos Jorge
09/11/2018
Professor Antonio Albino Canelas Rubim, da UFBA, fala sobre política pública cultural durante evento

Ao longo de dois dias, aproximadamente 50 agentes culturais da Unesp se reuniram pela primeira vez em São Paulo, para avaliar as ações recentes da universidade no âmbito cultural, trocar experiências na promoção de eventos e discutir os próximos passos em direção a uma política cultural na Unesp. O 1º Encontro de Cultura da Unesp também trouxe ao auditório da Editora Unesp, em São Paulo, as falas de duas autoridades no assunto: o professor Antonio Albino Canelas Rubim, pesquisador e especialista em políticas culturais da Universidade federal da Bahia (UFBA) e o escritor Milton Hatoum.

Em sua fala, Rubim argumenta que a universidade se vê como uma instituição científica e formadora de recursos humanos, mas ainda não se reconhece como uma instituição cultural. “Ela ainda precisa entender esse campo como tão fundamental quanto os demais”, afirma o o professor baiano, que defende que a construção de uma política pública cultural deve passar necessariamente por um debate público.

No ponto de vista do ex-secretário de Cultura da Bahia, a falta dessa política desestimula a contratação de pessoal capacitado capaz de, pro exemplo, captar recursos externos para projetos, ou aproveitar de forma mais eficiente os equipamentos disponíveis na instituição. “A discussão dessa relação entre universidade e cultura não existe apenas no Brasil, mas está no mundo todo”.

A fala do professor da UFBA antecedeu a apresentação das ações da Pró-Reitoria de Extensão (ProEX) no caminho da construção de uma política cultural da Unesp. Retomando e aprimorando iniciativas feitas em gestões anteriores, como a valorização dos Comitês de Ação Cultural (CAC) nas unidades. “A ideia não foi criar algo novo isso nós vemos o tempo todo na gestão pública. Nós tentamos pegar o que já estava sendo feito e construir algo além”, explicou o professor Paulo Moura, assessor da ProEX.

Alguns exemplos de iniciativas foram apresentadas, o que despertou uma rica troca de experiências entre os representantes dos CACs que nos últimos meses organizaram uma série de atividades culturais pela universidade estimulados por editais publicados pela ProEX.

sp3a0596.jpgOficina orientou debates que avaliaram ações já executadas e propuseram novas iniciativas

Público e recursos
Nesta troca de experiências, alguns participantes expressaram a frustração de receber um público pequeno para suas atividades. Neste sentido, Branca Rochidali, assistência administrativa na Unesp de Jaboticabal, explicou a sua experiência na divulgação das ações culturais no campus.

Juntamente com o professor Rouverson Pererira da Silva, ela organiza há três anos na unidade um chá cultural semestral, com as edições de novembro abordando sempre a temática da Consciência Negra. Branca explica que boa parte da divulgação é feita pelas mídias sociais (Facebook e Instagram tanto da unidade quanto do evento). “Nos dias antes do evento, eu vou para o corpo a corpo, distribuo material que confeccionamos sobre o evento na porta do campus e visito as salas de aula convidando os alunos e professores para comparecerem”, explica. Algumas edições chegaram a lotar o centro de convenções da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinária (FCAV).

Outra questão recorrente nos debates entre gestores e representantes dos CACs foi a disponibilidade de recursos. Nesse sentido, as advogadas Maria Luiza de Freitas Valle Egea e Andrea Cervi Francez apresentaram brevemente outras possibilidades de financiamento de atividades que vão além dos editais institucionais.

Literatura contra o retrocesso
A programação também trouxe o escritor Milton Hatoum para uma conversa com os participantes do encontro, sob a mediação da professora Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan, especialista em teoria e crítica da narrativa e relações intersemióticas. Vencedor por diversas vezes do prêmio Jabuti, o mais importante da literatura nacional, o escritor comentou sobre a afinidade de suas obras com a sua trajetória pessoal, a relação com os profissionais que a traduziram para outros idiomas e, o paralelo involuntário entre seu último romance, A Noite da Espera (Companhia das Letras), com os dias atuais.

01hatoumsp3a0529.jpg“Hoje em dia, ler um livro é um ato de resistência como dar uma aula”

O livro, lançado em 2017, tem como pano de fundo a repressão militar dos anos 60 e 70, que se apoiou em discursos autoritários semelhantes aos que sustentaram candidaturas vencedoras nas últimas eleições do país. “Esse livro começou a ser escrito em 2007 e eu não poderia imaginar que o romance faria um paralelo tão atual. Às vezes a ficção sabe mais sobre a realidade que o próprio autor”, explicou Hatoum, enquanto do lado de fora do auditório, seus livros estavam à venda para os participantes.

Apesar de se mostrar decepcionado com a tolerância a propostas intimidatórias como o Escola sem Partido, “que retomam o pior dos anos 70, que é a figura do delator,”, Hatoum entende a força da cultura e da literatura neste momento de retrocesso. “Hoje em dia, ler um livro é um ato de resistência como dar uma aula”, afirma o escritor. Ao final da palestra, a barraca havia vendido todos os seus livros.

Atendimento Online UnAN Nosso Atendimento Online é um sistema que está pronto para ajudá-lo com suas demandas. Acesse agora e conte com nossa parceria!
unan@unesp.br
(+55 11) 5627-0327
produtos

Guia de Profissoes UnespVestibular UnespClipping UnespTV UnespRádio Unesp
ACI - Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp
Rua Quirino de Andrade, 215 - 4o andar
Centro - São Paulo - SP - 01049-010
(+55 11) 5627-0327
unan@unesp.br UnAN - Acesse também por Smarthphone e Tablet
Facebook Unesp ReitoriaTwitter Unesp ReitoriaInstagram Unesp Reitoria