Busca na UnAN:
  • Tudo
destaques
Estudo aborda papel do educador em instituição de acolhimento
Pesquisadora analisou Casa-Lar da cidade de Franca
Maristela Garmes
13/09/2017

Como atua o educador na instituição Casa-Lar? Será que apenas a formação de nível médio, exigida como pré-requisito para a função, é suficiente para uma atividade tão complexa? É possível encontrar um profissional preparado para ser, ao mesmo tempo, cuidador, educador, e que administre a casa e trabalhe 24 horas por dia, sem perder o profissionalismo?, questiona a assistente social, Jéssica de Moura Peixoto.


Jéssica, que atualmente trabalha no Tribunal de Justiça de São Paulo, de Ribeirão Preto, defendeu no mês passado, pela Unesp de Franca, a dissertação intitulada Casa-Lar: desafios e possibilidades no trabalho do educador/cuidador residente com crianças e adolescentes.


O Casa-Lar é um serviço de acolhimento de crianças e adolescentes que ficam provisoriamente com medidas de proteção. “A grande maioria das crianças que vão para estas instituições tem família e vão voltar para ela”, diz a pesquisadora. Elas serão encaminhadas para a adoção apenas nas situações em que se esgotaram todas as possibilidades de retorno para a família de origem.


A assistente social explica que a cada seis meses, os casos são reavaliados e se uma criança ou adolescente ficar por mais de dois anos em uma instituição, o judiciário precisa justificar para o Conselho Nacional da Justiça os motivos desta permanência. O projeto Casa-Lar trabalha com crianças de 0 a 17 anos e está previsto nos artigo 93 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).      


Uma das características deste serviço é que o acolhido não ficará isolado da sociedade: as casas estão em bairros residenciais, sem placas de identificação, evitando que as crianças e adolescentes fiquem expostos a rótulos por viverem neste tipo de serviço. O número de crianças e adolescentes acolhidos por instituição também foram revistos: hoje, segundo a legislação, não deve ultrapassar 20 pessoas na mesma residência. 


“A principal diferença da Casa-Lar para outras modalidades de acolhimento é que eles atuam com um número reduzido de pessoas, no máximo 10, e o educador residente permanece 24 horas na instituição em que é contratado para atuar, com folgas semanais”, explica Jéssica.


Educar educando
“O educador residente é uma referência”, reforça Jéssica, que focou seu estudo no trabalho desenvolvido por este profissional. Ele é uma figura fundamental para que a Casa-Lar efetivamente proporcione as melhores condições de acolhida. Se ele não tiver preparado para lidar com as situações que se apresentam na convivência com a criança, ao invés de proteger este ambiente, ele pode contribuir para novas situações de violação de direitos. “É necessário preparo profissional adequado, muito além da educação continuada”. 


Em seu estudo, a assistente social analisou se o educador oferece às crianças um ambiente semelhante ao que eles encontram na convivência familiar, com momentos de afetos, cuidado, proteção e segurança. “Como profissional que participa o tempo todo do desenvolvimento da criança, ele deve estar preparado de forma emocional e profissional para respeitar à individualidade, socialização e reintegração familiar de cada crianças”, diz.           


Apesar dos educadores atenderem as demandas específicas de cada criança, Jéssica identificou que há uma preocupação mais intensa com os cuidados domésticos do que com a convivência entre eles: “A demanda dos afazeres são excessivas".         


Outro dado importante da pesquisa foi a dificuldade dos profissionais em compreender qual o seu papel na relação com as crianças. O Casa-Lar favorece que um número reduzido de crianças e adolescentes convivam de forma intensa com os educadores. "Isso se torna um desafio para estes profissionais pois, ao mesmo tempo que as relações de afeto e cuidado ficam muito próximas, contribuindo para construção de vínculos, percebe-se a dificuldade dos educadores em separar os seus próprios limites e expectativas pessoais da atuação profissional", diz.


Jéssica também destacou outras situações de complexidade nas relações entre o educador e as crianças, como a separação de irmãos que ficaram em Casas-Lares diferentes para evitar conflitos fraternos; mudanças do educador residente da Casa Lar depois de anos convivendo com as mesmas crianças e adolescentes; história de adoção na qual o educador residente adotou uma criança acolhida; e dificuldade em lidar com o adolescente quando este não atende às expectativas do educador; entre outras situações.


De acordo com a orientadora da pesquisa, a professora Maria Cristina Piana, do Departamento Serviço Social da Unesp de Franca, este estudo analisa que políticas públicas sociais devem ser implementadas e executadas para a garantia da proteção integral à infância e adolescência nos Estados e municípios.


O trabalho foi desenvolvido em uma unidade do Casa-Lar, na cidade de Franca, que é constituída por nove casas. Entre os meses de março e setembro do ano passado, foram realizadas entrevistas com gestores; coordenadores; profissionais da equipe técnica (assistentes sociais, psicólogas e pedagoga); educadoras/cuidadoras residentes e adolescentes residentes da Casa.


Casa-Lar em Franca é modelo
“A escolha pelo município foi motivada pelo fato de experiência de Franca ser referência, pois não há registros de outros municípios que apresentem tamanha capacidade de atendimento e quantidade de Casas-Lares: 65 vagas divididas em nove casas”, diz Jéssica. 


Em meados de 2015, o município de Franca iniciou o trabalho de reordenamento das instituições de acolhimento, organizando o programa de Casas-Lares. A primeira mudança foi o desmembramento das Casas, que ficavam, inicialmente, em um mesmo espaço geográfico, como uma comunidade. 


A partir de 2015, as Casas tornaram-se independentes entre si. A instituição passou a alugar casas destinadas à Casa-Lar em diferentes bairros do município, facilitando a convivência comunitária das crianças e dos adolescentes acolhidos e trazendo maior proximidade com a família de origem.

Atendimento Online UnAN
jornalista
Nosso Atendimento Online é um sistema que está pronto para ajudá-lo com suas demandas. Acesse agora e conte com nossa parceria!
unan@unesp.br
(+55 11) 5627-0327
produtos

Guia de Profissoes UnespVestibular UnespClipping UnespTV UnespRádio Unesp
ACI - Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp
Rua Quirino de Andrade, 215 - 4o andar
Centro - São Paulo - SP - 01049-010
(+55 11) 5627-0327
unan@unesp.br UnAN - Acesse também por Smarthphone e Tablet
Facebook Unesp ReitoriaTwitter Unesp ReitoriaInstagram Unesp Reitoria