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Professor da Unesp com deficiência visual obtém livre-docência
Docente narra a jornada de atingir um feito inédito no País
Assessoria de Comunicação e Imprensa
17/05/2016
Eder Pires de Camargo, professor do Departamento de Física e Química da Unesp de Ilha Solteira

Professor do Departamento de Física e Química da Unesp de Ilha Solteira e da Faculdade de Ciências da Unesp de Bauru Faculdade de Engenharia da Unesp de Ilha Solteira (FEIS) e da pós-graduação na Faculdade de Ciências de Bauru, Eder Pires de Camargo realizou o seu concurso de livre-docência na FEIS dias 10 e 11 de maio. A banca teve a participação dos professores Prof. Dr. Sergio Amaral, da UNICAMP; Profa. Dra. Elcie  Masini, da USP; Profa. Dra. Elisa Tomoe Moriya Schlünzen, da Unesp de Presidnte Prudente; Prof. Dr. José António Malmonge, da Unesp de Ilha Solteira; e Prof. Dr. José de Souza Nogueira, do Instituto de Física/UFMT. Depois de dois dias muito cansativos, obteve as seguintes notas: 10, na defesa da tese; 9,7, no memorial; 9,5, na prova didática; e 8,5, na prova escrita.

Leia depoimento do professor Eder Pires de Camargo, ao que foi possível apurar, o primeiro livre-docente com deficiência visual do Brasil:


"O que mais me deixava com medo era a prova didática que deveria ser realizada entre 50 e 60 min, caso contrário o candidato seria eliminado. Terminei a mesma em 55 min.  

Minha nota final foi 9,57, e eu tornei-me o primeiro professor cego a atingir o título de livre docente, acredito a ter atingido o nível de escolaridade mais elevado no Brasil.

Como escrevi no meu memorial, gostaria de destacar que foi uma vitória conquistada a duras penas, uma vitória de Pirro!   
Quando se obtém uma vitória a alto preço, com o potencial de acarretar  prejuízos irreparáveis, costuma-se dizer que esta foi uma “vitória de Pirro”. A expressão recebeu o nome do rei Pirro do Épiro, cujo exército havia sofrido perdas irreparáveis após derrotar os romanos na Batalha de Heracleia, em 280 a.C., e na Batalha de Ásculo, em 279 a.C., durante a Guerra Pírrica.

Após a segunda batalha, Plutarco apresenta um relato feito por Dioniso de Halicarnasso:
Os exércitos se separaram; e, diz-se, Pirro teria respondido a um indivíduo que lhe demonstrou alegria pela vitória que "uma outra vitória como esta o arruinaria completamente". Pois ele havia perdido uma parte enorme das forças que trouxera consigo, e quase todos os seus amigos íntimos e principais comandantes; não haviam outros homens para formar novos recrutas, e encontrou seus aliados na Itália, recuando. Por outro lado, como que numa fonte constantemente fluindo para fora da cidade, o acampamento romano era preenchido rápida e abundantemente por novos recrutas, todos sem deixar sua coragem ser abatida pela perda que sofreram, mas sim extraindo de sua própria ira nova força e resolução para seguir adiante com a guerra. (WIKIPEDIA, S/D).

Mas, o leitor, pode estar se perguntando: o que ele quer dizer com “prejuízos irreparáveis”? São as consequências físicas, psicológicas e sociais resultantes do trabalho paralelo, não contabilizado, ignorado, não remunerado, adicional, extremamente necessário para que uma pessoa com deficiência visual possa realizar as mesmas atividades de uma pessoa vidente como ler, escrever, ter acesso a figuras, gráficos, equações matemáticas etc.

A sociedade, representada por suas mais variadas instâncias, tem a obrigação ética, legal e atitudinal de tornar os caminhos que conduzem à educação, trabalho, lazer etc. das pessoas com deficiências, transtorno global de desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação muito menos desiguais para que possamos falar em direitos. 

Sou apenas um homem. Entretanto, sou cego. De um lado, não gostaria que este fato fosse sobre valorizado, porque faço um trabalho sério, ou seja, eu cheguei a este nível de escolaridade e desenvolvimento por méritos, não porque sou cego.

Realmente conquistei todos os títulos e formação por mérito. Eu penso que isto é um fator importante, e agora não falo especificamente de mim, mas utilizo meu caso como um símbolo. Um cego chegar a este nível dentro de uma universidade é algo complexo. Os instrumentos que possibilitam isto são instrumento de leitura e escrita, eles estão,  principalmente por boa parte de minha vida, que tenho 43 anos, fundamentados no referencial visual.

Hoje já se encontra muita coisa que pode ser ouvida por dispositiveis em computador. mesmo assim, há processos complexos de scaniamento, transformação de textos em jpg, pdf etc em textos acessíveis para cegos poderem lê-los, e este processo também de leitura é algo desgastante e difícil.

Acho que é isto que deve ser destacado, não foi fácil chegar até aqui aos 43 anos, eu me sinto cansado, às vezes esgotado porque para atingir níveis como este realmente tenho que fazer um trabalho adicional muito significativo em relação aos colegas videntes. É isto que quis dizer acima com vitória de Pirro.   

Por isto, especialmente neste ano, isolei-me de minhas orientações,  precisei dedicar-me como nunca a esta tarefa, montar memorial, estudar como nunca estudei para este concurso."

Contato do pesquisador
camargoep@dfq.feis.unesp.br 
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