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Entrevista com o físico pioneiro da Teoria do Caos
Marcos Jorge
09/04/2013
Físico esteve no ICTP-SAIFR, na Unesp Barra Funda, para ministrar um seminário

No final de março, o Instituto de Física Teórica (IFT), na Unesp, Câmpus de São Paulo, recebeu um dos maiores especialistas do mundo em Física Quântica, o britânico Michael Berry. Professor emérito da Universidade de Bristol, o físico recebeu o título de ‘sir’ da rainha Elizabeth II por sua contribuição à Física, em 1996.


O físico e matemático britânico esteve no ICTP South American Institute for Fundamental Research (ICTP-SAIFR), localizado dentro do IFT, no bairro da Barra Funda, para ministrar um seminário intitulado Superoscillations and weak measurement (Superoscilações e Medidas Fracas).


Atualmente, Sir Michael Berry dedica seus estudos a entender o campo da física óptica, mas nos anos 60, o físico-matemático contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da Teoria do Caos, formulando equações que estabeleciam conexões entre a física clássica e a física quântica.


Introdução à Teoria do Caos
Quando comecei a me aprofundar neste tema, as pessoas estavam começando a estudar o caos na física clássica, mas eu achei que poderia encontrar uma relação entre o caos e a física quântica, uma vez que a física quântica surgiu a partir da física clássica.


O impacto da Teoria do Caos na comunidade científica
Falando de uma maneira geral, o impacto foi muito grande. Físicos não são um grupo muito, digamos, filosófico. Mas mesmo este grupo “não-filosófico” se impressionou ao conhecer a mensagem do caos, que fala sobre coisas que nós podemos determinar, mas não podemos prever. Ou seja, matematicamente nós podemos determinar algo, mas é tão instável que rapidamente desvia da previsão feita pela equação. Isso foi algo profundo na física: constatar que nós podemos determinar algo, mas não conseguimos prevê-lo.


Como a Teoria do Caos se desenvolveu ao longo dos anos?
Já haviam conceitos inicias sendo desenvolvidos cem anos atrás, indivíduos muito inteligentes estabeleceram algumas teorias relacionadas ao caos, mas não foi assimilado pela maioria dos cientistas naquele momento. Porém, foi nos anos 60 quando três ingredientes fundamentais foram reunidos. Primeiro, puros matemáticos também começaram a desenvolver idéias sobre o caos. Segundo, os astrônomos, que começaram a olhar certos eventos no Sistema Solar e questionar a sua movimentação, especialmente nos primeiros bilhões de anos. E por fim, o crescimento do uso dos computadores. Quando estes três pontos se juntaram, o assunto explodiu.


Aposentadoria
Eu me sinto como um viciado em relação à física. Algumas pessoas param, tudo bem, mas eu ainda tenho o mesmo interesse pela física de quando era jovem. Claro que eu gosto de cozinhar, viajar e ver paisagens, mas eu também gosto de física. Hoje, por exemplo, acordei às seis da manhã e fui para o computador fazer alguns cálculos que me ocorreram.


O físico e o artista
Há um equivoco sobre o trabalho do artista. Claro que existe uma inspiração, mas eles trabalham o tempo todo. Sei disso porque meu filho é artista. Tanto Newton quanto Einstein, quando perguntados como resolviam as questões ao qual se deparavam respondiam que não eram mais inteligentes que ninguém, a diferença era que eles nunca deixavam de pensar sobre aquela questão.


Os insights, claro, existem, e eu inclusive dei um nome para esta partícula elementar da descoberta, o clareton. Entretanto, existe também o anticlareton, que chega no dia seguinte e anula o clareton porque você cometeu algum erro. [risos]. O processo da descoberta é uma sucessão de claretons e anticlaretons.


O tempo da descoberta
O CD player foi inventado em 1982 e o laser em 1958. Quando comecei na física, dizia-se que o laser era uma invenção em busca de uma aplicação. A idéia central do laser começou com estudos do Einstein, em 1919, sobre como matéria e radiação se relacionavam entre si. Ninguém imaginava que estas idéias seriam usada por físicos experimentais para fazer o laser, nem os físicos experimentais imaginavam que engenheiros usariam suas idéias para fazer música. De certa forma, a física quântica democratizou a música com a invenção do CD player. E este é apenas um de vários exemplos. Os políticos as vezes cometem um erro grave, que é pensar uma descoberta como algo definitivo, que se você investe dinheiro na ciência, ele retornará imediatamente.

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